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~ vazio.

Tá tudo tão vazio.

Sinto que preciso ‘me encontrar’ novamente.

Esse vazio que me toma, um sentimento solo, e angustiante, que por vezes gera um desconforto descomunal; minha ansiedade grita.

Porém, sei que é extremamente necessário para o crescimento, ainda que seja terrível sentir-se sozinha, o amadurecimento do ser, a evolução do espírito, o despertar, requer momentos de solitude e autoconhecimento. Por isso, sei que não sou só, estou apenas, mas também não estou.

Sinto falta da conexão de almas. Uma ser para confessar desejos, compartilhar luz, amor e insanidades.

Aquela companhia que te deixa nua e exposta só com palavras, que te ama sem ter vergonha de ser quem é.

Alguém que sorri com seus desastres, e te ama, mesmo quando seus cabelos caem.

Pois é, faz falta.

Arte: Elisa Dymphie

Estranho, vazio, superficial.

Saudades de quando eu queria fazer qualquer coisa, até ir na esquina.

Saudades de quando eu sentia falta de sexo, de café, de respirar gente nova, de vida fluindo…

De quando eu me imaginava em outro lugar, com as mesmas pessoas ou com pessoas que nunca vi.

Sinto falta de como eu era alegre quando ajudava alguém.

Eu costumava ser feliz, e mesmo sozinha, eu ria, eu era alguém amável e carinhosa.

Meu humor hoje está insuportável. Impregnado de mágoas, de solidões incuráveis a curto prazo.

Afogada nas ansiedades que eu mesmo crio, (eu crio?) nas infinitas decepções. Chega!

Estou imóvel, e continuo paralisada concretando meus pés.

Sinto falta de sua presença em meus sonhos.

[Não te sinto mais menino.]

Perdão.

~ fluidez!

Não estou fluindo, nem nutrindo,
Só estou rindo, sorrindo.
Gargalhadas de medos, desejos, pesadelos, esse tem sido o enredo.

Madrugadas frias, imagens sutis.

Durmo tarde, acordo no meio do sono, Sonho quase todos os dias,
Quase todo sonho é vazio, sozinho, sombrio.

Acordo cedo, canto com o galo,
A alma está de ressaca,
Estou bebendo mais água,
Mais água, mais água, mais água, mais, mais…

Estou com o peso das noites,
Peso dos pesadelos, peso da agonia,
Peso do corpo cheio.

Algo precisa fluir, nutrir os sonhos,
Decifrar o que vejo,
Explicar sentimentos, experiências,

Dizer como eu percebo.

Despertar…

De gole em gole, estou preenchendo os espaços vazios,
Mas, o vazio é sempre cheio…
De copo em copo o que é ruim vai sair.

Com mais sede, eu afogo intentos que não são meus…
Eu sufoco os negativos.
Eu assassino mentiras, e destruo algumas “verdades”.

E cheia suficiente, posso esvaziar tudo,
Consigo expelir tudo que agrediu meu ser,
Nadar nos meus sentimentos e nadar sozinha com minha alma,

Pois ela, ainda que triste, é fluidez!

~ vazio.

Este texto devia conter palavras bonitas, contagiantes, ou efêmeras, mas eu acordei no vazio.
Por um momento não soube descrever o vazio, tão pouco compreender o meu.

  1. vazio
    1. que não contém nada (ou contém apenas ar) ou quase nada. “copo v.”
  2. 2. em que não há ou há poucos ocupantes ou frequentadores. “um cinema v.”

São quatro horas de uma madrugada, úmida, quente e fria. Tento entender como meu corpo permanece gelado, suado e a cabeça quente, queimando, doendo.

Sinto frio, calor e dor no corpo. É possível que eu esteja doente.

Verifico minha temperatura corporal, trinta e nove graus, estou suando. Afiro minha pressão arterial, oitenta diastólica, e sessenta da sistólica. Meu estômago grita comigo, e abre um abismo, incendiando tudo, empurrando-me para baixo.

Nem todo incêndio se apaga com água, eu tento, mas minhas mãos não conseguem equilibrar a garrafa, estou tremendo. Devo pedir ajuda?

Desmaiei. Acordei com o burburinho dos pássaros e jogada num mar de água. Mergulhei em alguma piscina?
Não.

Meu corpo combateu a febre
Minha garrafa caiu das mãos
Meu coração despertou com os pássaros
Acordei no vazio da minha alma.

Não consigo silenciar minha mente, não consigo descrever o que estou sentindo, não consigo escrever o que tenho.
Quero pular no abismo, sair do vazio, quero silenciar todo esse barulho que não me deixa descansar… Não consigo dizer sobre eles.

Eu não sei… mas, percebo.

Embora seja vazio, contém muito.
Há ocupantes, frequentadores!
Como pode ser um vazio?

[Madrugada, 15.04.2017 – A lua era rosa; as lágrimas eram secas, inaudíveis.]

Obs.: Acabo de escrever – reescrever este texto com a certeza de que anjos existem.

Vestido de osso e pele, e com um coração lindo. Admirável és tu. Grata por nosso papo terapêutico familiar.

Planos Nus!

Fez planos para uma noite quente,
Perguntou se podia…
Não sabia, mas, a noite fria,
Era só dela!!

Alguns cigarros, um vinho, um banho quente.

Noite fria, silenciosa e vazia!

Podia ser a sexta, a quinta, ou qualquer dia.
Mas, não podia.

Ele, um homem esbelto, não tão belo.
Ela um oceano, estranho, revirado.
Ele sozinho, vazio, não tão frio.
Ela quente, acompanhada e cheia.

Hoje, não podia. Hoje, ela não dá!

Era uma sexta daquelas vazias.
Era a mulher que ama o calor do frio.
Era o homem que não queria passar sozinho o frio.
Eram dois corpos vazios!

Não há dor. Não há vazio. Só amor!

Entre edredons, cafés e silêncios.
Um copo vazio.
Mais um cigarro, esvazia a lata.
Guarda o carro!

Toalhas molhadas, blusa encharcada.
Na banheira, um nada!
No closet, uma velha carta:

“Amar o amor da vida,
esse, fica para outro dia!
Hoje, só quero as migalhas.”

Era uma sexta fria,
Dois corpos, duas mentes.
Nus instantes, nus sozinhos.
E dois corações que nada valiam!

Era noite quente,
Mas, quis ser sozinha, quis ser só minha!
Publicado por Cassiane Araújo