Pedindo a Lua pra sair mais cedo…

A jangada fria, silêncio do céu estrelado por nuvens carregadas, sem água. Olha o Tempo para não chover… não choverá, meu bem. Fará mais frio. Frio além do frio que o termômetro marca. Compre meias. Usa as meias. Aquece o cordão do coração. As mãos. Os lábios.

Reduza o barulho da mente, do corpo, descansa, olha para si, se escuta, faça autoanálise do espelho.

Aproveita o despertar desprendido e estiloso do dia que chega cedo. Observa a mestria do Sol, das nuvens, dos céus. Seja o mestre e o maestro. Sejamos bons peritos na vida que inicia.

📸Vila Homero Ecard – Arquivo @temflor

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Onde, Amahris?

Pinterest

O namoro acabou.

Lástima, larva, lavoura de sementes e correntes de sabores, espalhados no campo de girassóis, Amahris.

Os girassóis são belos porque mentores zelam por cada semente colhida.

Ah, as sementes…

Fiz poesia e quis, refiz o sorriso e fostes. Atravessou pela partida e nunca mais olhei os olhos de azeitonas.

Verão nem começou e vai o namoro correndo pro outro lado da vida, como pétalas, Amahris, voou.

Esqueceste o cavalo alado ao lado do inverno molhado.?

Choramos também, Amahris.

Nos tornamos secos e frios, como gelos ressecados, estamos.

Como vai voar, Amahris.?

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Uma noite em Santana

Aterro do Flamengo – RJ – 1940

📸Pierre Verger


Como o trem das onze que não veio, nós dois no telhado olhando a terra girar.

Sinto falta do chá feito pra nós…

Daqui, mudei as ervas, os comprimidos, os banhos, os ouvidos, as escritas.

Os incômodos, agora falam comigo, e os pesadelos, são meus velhos conhecidos.

Eu adormeço em Santana,
E tu amanhece em meus braços.

Pego-te, cheiro-te e recolho minha significância, como a flor do jardim que não existe.

O olhar sereno e forte, o brilho ilumina o dia. É o ser consciente, delicado e totalmente bruto. É contraditório, eu sei. Mas, tudo que nos envolve é. Ainda que envolvimento não há.

Sua história, sua jornada, sua trajetória, nada mais será tão ignoto, quanto as próprias escolhas.

Não sei por quanto tempo posso te sentir em meu ser. Não tenho dormido, automaticamente, não consigo te trazer para os sonhos. Sua presença, embora aqui, passeia em pensamentos oscilantes.

Estou à tomar o café da manhã que não bebemos… Lendo as cartas que não escrevo, relendo os sonhos de luz e medo, dos lugares onde nunca estive, mas, sempre vivi.

Os pássaros continuam estacionados nas rochas, como quem grita o preço da nossa liberdade…

Amor, tu és livre! Libre!

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| chá |

Te desejei em meus lençóis, quis sentir o abraço envolvendo os cabelos, os dedos prendendo os anseios, a boca falando sobre a vida dos deuses, a respiração falando por nós.

Tanto sentir fazendo sentido, tantos outros persistindo… Outros indo no vento.

Te desejei sabendo que não devo. Mesmo, longe, disperso, mesmo que tu não sinta, veja, ou queira; te desejei, confesso.

Desejei a profundidade e a intensidade das verdades, da casca que cobre o manto seguro. Do olhar que não traduz.

Desejei colocar um punhado das cinzas do renascimento no chá.

Qual seria o gosto do amargo?

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|sonolência|

Estou na sonolência da segunda.
Na segunda-feira, de 1984.

Acho que não durmo desde da minha chegança. Não lembro.

Dizem que dormi, e que minha chegada foi numa terça-feira, em noite nublada.

Cheguei calada, quase morta, ou morta mesmo. Eu dormia como anjo, mas, fui ressuscitada. Tô viva!

Eu já devia saber que dormira pouco nesta vida. Devia saber que dormir, é privilégio. Que os sonhos despertariam-me para o inconsciente, e para o espírito.

Quando os sonhos não são revelados, como fica o consciente?

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Revoada

Senti sua pele tão quente, quanto ao tema da vida.


Perdi-me no tempo, aqui sentada nesta tarde. Enlouquecida em pensamentos, só de imaginar a respiração aguçada e pausada.

Senti falta do sussurro em meus ouvidos, do olhar devorador, da voz. Sinto falta da voz!

Foi bom te ter nos meus sonhos. Te ver, olhar novamente seu sorriso. Tive vontade de sentir seu perfume, e de te abraçar.

Você continua lindo!

~ tjukurpa!

Antes de está lá, já havia visto!


Deus não é homem pra nos deixar no escuro. E como foi dito: antes de ter, precisa ser. Ser inteiro, estar por inteiro.

Nunca fui fã do enxadrismo, nunca aprendi a jogar o xadrez, nunca ninguém se propôs a ensinar-me a jogar, e de fato, nunca me interessei, mas, ouvi dizer que rainhas, bispos e cavalos, derrubam um rei.

E como diz o poeta:

“Sua rainha tá ciscando!”.

[Entre a rampa e o corredor, existe um longo processo, e no caminho, tem muitos peões pra tu derrubar, mas, alguns são para te servir. Tem até bispo pra te ajudar, onde está sua torre?.]

Eu te olhei através do vidro, não nos ouvimos. Te perdi no corredor e te deixei na rampa. Como não creio em sorte, estou emanando bênçãos!



Meditação: Marcos 4

Digestão

Tentando dirigir o sonho desta madrugada.

Acabo de escrever um texto, um agradecimento, um acréscimo, um pretexto.

O sono me consumiu pelos remédios, adormeci assim que postei o que havia visto nas peças do tabuleiro.

Então despertei do sono, do sonho, do aviso?

Parece que não dormi. Estou com o corpo exausto, estou tão pesada, que não consigo dirigir e processar o que vi. Não tive medo, apenas receio pelo perigo, uma armadilha talvez?

Receio, porque ele ficou pra trás. É como se o fato de não nos escutarmos, gerasse o afastamento e consequentemente atrai o perigo.

Ele me ignorou no sonho, eu ignorei sua presença também. E no momento, estamos nos “ignorando” (essa não seria a palavra). Mesmo que seja exclusivamente para o próprio bem e causa, é uma forma errada para relatar.

Tentando seguir a vida como se não existisse o querer ou a vontade. Tentando separar o físico da alma, mas o espírito é impossível de controlar, de um jeito ou de outro, Ele nos revela.

Oculto nada será!

Serás como lírio.

Toda energia concentrada para bons fluídos.

Uma flor germinada é revelada.

E aquele olhar que acompanhou as viagens, trará o sorriso mais encantador, do que o do menino.

Gratidão, por todas as relações. Bênçãos e muito amor nesta passagem.

Serás como lírio.

| almoço na tenda |

Na noite passada, não nesta, mas, na anterior, tive mais um sonho, mais um de um montante que tenho. Mais um sonho para encontrar-me com o doce menino.

Esse sonho não vou descrever por inteiro, como outros, sei que trata-se de algo mais profundo e espiritual na qual, acredito.

No início, quando comecei a encontrá-lo nos sonhos, ele parecia sempre doce, com largos sorrisos e confusos olhares. Com o tempo, fui aprendendo a identificar um sonho comum, de outros.

O menino não era só o encanto, era um caminho a percorrer para o crescimento pessoal e somativo.


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Lua Minguante

As visões e os sonhos, dessa transição da lua, são sempre os mais profundos, mais significativos, mais intensos e conscientes.

Somos uma conexão, e a presença física, não necessariamente, é o que nos aproxima, nem o que nos eleva.


[Um novo ciclo. Um novo homem, caminhando na estrada de chão vermelho.

Um salto bem alto, envolvendo raízes, razões, experiências e pessoas próximas… (confuso). Não consigo descrever a sensação da presença.

É um êxtase úmido, em tons foscos, verdes, cinzas.

Como um anjo, sem asas você flutuava sobre as planícies que eu havia adormecido. Algumas folhas esvoaçantes caíram sobre o meu rosto, eram folhas, mas sentia como gotas de orvalho… Vi suas mãos, suave, de forma leve, abrindo e fechando, soltando algo.

Que ervas você tem usado? Esse aroma… Você está semeando e cultivando algo novo, o que é? Mostra-me!

Sua meditação tem sido longa. Seus olhos estão mais pesados que seu corpo. Não entendo, talvez compreenda, talvez. Seu sorriso, contudo, continua o mesmo.]


SORRIA MAIS!

Gratidão, Amor!

flor

📸@temflor