Publicado em Tem Flor 🌱🌻💜

|Uma noite em Santana |

Como o trem das onze que não venho, nós dois no telhado olhando a terra girar.

Sinto falta do chá feito pra nós…

Daqui, mudei as ervas, os comprimidos, os banhos, os ouvidos, as escritas. Os incômodos, agora falam comigo, e os pesadelos, são meus velhos conhecidos.

Eu adormeço em Santana,
E tu amanhece em meus braços.
Pego-te, cheiro-te e recolho minha significância, como a flor do jardim que não existe.

O olhar sereno e forte, seu brilho ilumina o dia. É o ser consciente, delicado e totalmente bruto.
É contraditório, eu sei. Mas, tudo que nos envolve é. Ainda que envolvimento não há.

Sua história, sua jornada, sua trajetória, nada mais será tão ignoto, quanto suas próprias escolhas.

E não sei por quanto tempo posso te sentir em meu ser.
Eu não tenho dormido, automaticamente, não consigo te trazer para os sonhos. Sua presença, embora aqui, passeia em pensamentos oscilantes.

Estou à tomar o café da manhã que não bebemos…

Lendo as cartas que não escrevo, relendo os sonhos de luz e medo, dos lugares onde nunca estive, mas, sempre vivi.

Os pássaros continuam estacionados nas rochas, como quem grita o preço da nossa liberdade…

Amor, tu és livre! Libre!

Nas areias de Santana, despir-me das vestes que ainda nos cobriam de desesperança e desconsolo.

Nua, mergulhei mais uma vez, sobre o mesmo penhasco; um oceano só meu.
Uma montanha para blindarmos o pôr do sol, e despedir-se dessa consciência.

Agora, estou observando as palavras da janela, do lado direito do avião que nunca peguei. Desse lado, escrevo o poema que nunca vou enviar. Do outro, saio novamente do aeroporto, e escrevo a poesia que ninguém vai saber.

É um vai, sem volta, e um foi que nunca mais venho!

Tô cansada…
E cansei de falar contigo,
Tu cresceste tanto que mal cabe em seu recinto.

Tenho falado tanto contigo, que quem vê, acha que estou a falar sozinha. É estranho falar com as plantas, pior é que de tanto silêncio, agora, pareço ouvi-las.