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As Caravanas

As Caravanas de Chico Buarque

É um dia de real grandeza, tudo azul.

Um mar turquesa à la Istambul enchendo os olhos.

Um sol de torrar os miolos, quando pinta em Copacabana a caravana do Arará, do Caxangá, da Chatuba.

A caravana do Irajá, o comboio da Penha, não há barreira que retenha esses estranhos, suburbanos tipo muçulmanos do Jacarezinho a caminho do Jardim de Alá.

É o bicho, é o buchicho, é a charanga, diz que malocam seus facões e adagas, em sungas estufadas e calções disformes.

É, diz que eles têm picas enormes e seus sacos são granadas, lá das quebradas da Maré.

Com negros torsos nus deixam em polvorosa a gente ordeira e virtuosa que apela pra polícia despachar de volta o populacho pra favela ou pra Benguela, ou pra Guiné.

Sol, a culpa deve ser do sol, que bate na moleira, o sol que estoura as veias, o suor, que embaça os olhos e a razão e essa zoeira dentro da prisão. Crioulos empilhados no porão de caravelas no alto mar.

Tem que bater, tem que matar, engrossa a gritaria.

Filha do medo, a raiva é mãe da covardia, ou doido sou eu que escuto vozes.

Não há gente tão insana, nem caravana do Arará. Não há, não há…

Sol, a culpa deve ser do sol!


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Congênito

Palavra figura de espanto…

Se a gente falasse menos, talvez compreendesse mais…

O tudo que se tem, não representa tudo. Quem não vê!
Não goza de consideração.

Luíz Melodia

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Dona da Minha Cabeça

“Na força dessa beleza é que eu sinto firmeza e paz, por isso nunca desapareça, nunca me esqueça, não te esqueço jamais… Eu digo e ela não acredita, ela é bonita demais!”