Arquivo da tag: mergulhos

Declama o Amor

Meus olhos calados,
Silenciados em certezas,
Em voz presente nos pensamentos.

Daqui, do meu oceano,
Te enxergo do outro lado do mundo,
No outro lado dos sonhos.

Anulo o olhar,
Adormeço na vida que imaginei,
Só para trazer-te pra perto de mim.

Amor,
Não sei quando tocarei sua presença,
Mas, posso sentir sua beleza.

Se cuida,
Mergulha no seu oceano,
E na saudade vestida de tempo.

Cassiane Araújo

[Texto em @grupodapoesia]

|Uma noite em Santana |

Como o trem das onze que não veio, nós dois no telhado olhando a terra girar.

Sinto falta do chá feito pra nós…

Daqui, mudei as ervas, os comprimidos, os banhos, os ouvidos, as escritas. Os incômodos, agora falam comigo, e os pesadelos, são meus velhos conhecidos.

Eu adormeço em Santana,
E tu amanhece em meus braços.

Pego-te, cheiro-te e recolho minha significância, como a flor do jardim que não existe.

O olhar sereno e forte, seu brilho ilumina o dia.

É o ser consciente, delicado e totalmente bruto. É contraditório, eu sei. Mas, tudo que nos envolve é. Ainda que envolvimento não há.

Sua história, sua jornada, sua trajetória, nada mais será tão ignoto, quanto suas próprias escolhas.

E não sei por quanto tempo posso te sentir em meu ser.
Eu não tenho dormido, automaticamente, não consigo te trazer para os sonhos. Sua presença, embora aqui, passeia em pensamentos oscilantes.

Estou à tomar o café da manhã que não bebemos…

Lendo as cartas que não escrevo, relendo os sonhos de luz e medo, dos lugares onde nunca estive, mas, sempre vivi.

Os pássaros continuam estacionados nas rochas, como quem grita o preço da nossa liberdade…

Amor, tu és livre! Libre!

Nas areias de Santana, despir-me das vestes que ainda nos cobriam de desesperança e desconsolo.

Nua, mergulhei mais uma vez, sobre o mesmo penhasco; um oceano só meu.
Uma montanha para blindarmos o pôr do sol, e despedir-se dessa consciência.

Agora, estou observando as palavras da janela, do lado direito do avião que nunca peguei. Desse lado, escrevo o poema que nunca vou enviar. Do outro, saio novamente do aeroporto, e escrevo a poesia que ninguém vai saber.

É um vai, sem volta, e um foi que nunca mais venho!

Tô cansada…
E cansei de falar contigo,
Tu cresceste tanto que mal cabe em seu recinto.

[Tenho falado tanto contigo, que quem vê, acha que estou a falar sozinha. É estranho falar com as plantas, pior é que de tanto silêncio, agora, pareço ouvi-las.]

| do flerte a flecha |

Despir o espírito, em notas suaves de rosas.
Despir a alma, em notas sagradas de orações.
Despir o coração, em notas suadas de gratidão.
Despir o corpo, em notas ousadas de traduções.

Olhei, o corpo que trouxe,
Beijei a mão, e colhi as palavras,
Agradeci a voz, confirmei o canto,
Dancei o bramido que provocou.

São devidas proporções e fé há,
Supremacia e reverências.
Sonhos, visões, insgths evoluídos.
Dissertações proporcionais; tensas.

Continuar lendo | do flerte a flecha |

unorthodox

Algumas raízes acorrentam ao invés de libertar!

“É preciso mergulhar em si.”

Quantos mergulhos são precisos?

Navega o mais fundo possível no interior dos anseios, dos medos, desejos, caprichos, virtudes e crenças.

Sempre com a sensação do afogar, mais nunca o êxtase das buscas.

Quantos afogamentos preciso para resistir?

Quem sabe, ter certeza de quem fomos, ou o que queremos-devemos ser.

Nos sentiremos plenos?

Pode ser que dê muito certo.

Ou, talvez, descobrir que a plenitude não existe, não da forma que almejamos.

O vazio realmente existe neste corpo, ou são véus de memórias?

Imagem: é da minissérie Unorthodox.

É preciso gerar novas expectativas!

Eu, sinceramente, não sei como e nem de que maneira fazer isso acontecer. Não nesse momento.


Tô meio paralisada, fechando os olhos para notícias e pessoas, tô meio que distraída fugindo de alguns assuntos, tô confiante e ao mesmo tempo cética para determinadas ideologias.

Tô buscando minha criança em momentos que deveria ser matriarca .

Não estou fugindo da minha responsabilidade, estou me resguardando, me privando, e não querendo expor de maneira inadequada.

Por outro lado, não tô ligando para nada disso. Tô só querendo transcender todos esses sentimentos que estão acompanhando e gritando comigo madrugada pós noite.


Tenho consciência do que funciona pra mim, e do que traz ou mantém minha esperança em dias de dificuldades, ou em tempos de crise.

Já levei tanta porrada da vida, tanto empurrão no olho do furacão, que depois de um tempo, vento contrário, já não assusta, ajuda, mas, sei que não funciona da mesma maneira para todos, e principalmente para quem não tem saúde, fé, e uma vida financeira estável.

Sim, saúde, fé e dinheiro, mudam todo seu conceito de viver e vê a vida. Tanto pro lado ruim, quanto pro lado bom. Não seja escravo de nenhum deles.

É muito fácil, vir aqui, escrever um texto lindo, cheio de amor e repleto de esperança pro futuro, ou cheio de expectativas. Ou fazer uma live, um show, um podcast.

Mas, diante dos olhos críticos e contraditórios, que embelezam meu ser, tudo isso, soa vazio! E, é vazio, por mais significância e boa intenção que tenha.

Não tô aqui julgando ninguém, okay; façam! Estou apenas expressando o meu sentimento após um plantão “esquisito”.

Continuar lendo É preciso gerar novas expectativas!

| saiu cedo|

Ela levanta e olha o tempo como se estivesse desabando na praia, ou como quem vê o quanto será longínquo este dia.

Escova os dentes, não arruma o cabelo, tanto faz, são cinco horas da manhã, ninguém vai perceber, olhar ou observar, então também não se preocupa em colocar sua melhor roupa.

A coruja ainda está pousada na ponta do telhado, como quem vigia a casa e o sono não chegado.

Onde andarás a menina que ontem habitava em constelações conosco?

Caminha em passos lentos, desacelerados, quase paralisando o respirar, quase desmontando em suas próprias pernas.

No silêncio do dia, um sonoro percebido. Não se preocupa e não se assusta.

E se depara com um quadro vivo nascendo, entre a escuridão sombria, e o nascer do dia que raiou mais uma vez com olhos abertos.

Estamos aqui, novamente, observando o vento, os barcos e o silenciar da voz.

Desculpa, não quero ser mais forte. Quero poder ser fraca. Chorar sem precisar esclarecer minhas confusões. Sorrir sem o peso.

Um encontro enamorado, ela, e o oceano inteiro de ondas agressivas, que com ferocidade e ternura vai batendo, debatendo, arrancando; molhando suas vestes.

Alguns minutos depois, lá estão, esticadas na areia, como quem não tem vida ou força para se manterem em pé.

O vento calou, as ondas se retiraram, e mais silêncio ficou. Um absoluto som do universo, ou seria do abismo a sua frente?

Ouvi seu lamento entre nuvens e raios solares, que reluzem os olhos, ora encharcados de lágrimas, ora brilhante do sal.

Um amor a céu aberto é esse encontro. Um orgasmo e duas sentenças.

O sol não se faz mais presente, nuvens carregadas acabam lavando todos os vestígios dessa breve intimidade.

Seu corpo permanece estirado no chão. Suas vestes transparecem sua pele totalmente arrepiada do frio, e seus lábios estão levemente arroxeados.

Parece olhar o barco que aponta na igreja,
Parece recitar o om mani padme hum pro sol,
Parece que reza uma prece com o marujo,
Parece que resmunga com a mãe.

Na verdade adormeceu ou simplesmente apagou por alguns minutos. Eu não sei.

Desperta por novas ondas, agora evoluídas em grandeza e força, ondas, que a jogam para dentro do mar, e acaba com todo o resto de fôlego.

Acorda, não encharca mais as rosas, acende a fogueira.

d0f13ce6baee7ced58c2be5fd23023cc.jpg

Que a luz seja presente, boa noite.