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| eva por ar |

Houve uma manhã que ela pegou carona,
E nunca mais pode ser a mesma pessoa.

Não sabia exatamente o que era,
Tão pouco no que foi transformada.

Desejou ser quem achava que era,
Procurou ter o que antes não sabia que tinha.

Nesta vida, tem a certeza que não será mais,
Cabe aceitar o que resta do ser.

Cabe receber a dor como está,
Desertada, com músculos rompidos.

Água com gosto de lama, cheiro de enxofre,
A pele, os olhos, o corpo; anseio eterno.

O que levaram não tem retorno,
Cicatrizes invisíveis que borram os anos.

Um acidente, um acidente; outro,
O que levaram não tem cura.

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Colheita de flores.

​[as carnívoras machucam!]

Tem dias que o bolor da garganta apavora. Devora a traquéia, mutila o esôfago e joga os restos mortais no estômago.

Tem meses, anos, acumulados.

Tudo revirado,

Tenta encaixar o ar nas veias, o oxigênio, mas, o sangue bombeado parece sufocar até a pele.

O ar não chega, o coração acelera e o corpo pausa. A oxigenação está ligeiramente prejudicada, a teimosia e o desespero, faz lembrar que não devia nunca ter abandonado os tratamentos.

Não ela não acreditou estar curada, ela só cansou daquelas bombinhas idiotas, daquelas injeções nojentas, da dieta eterna.

Há tanta gente com problemas maiores, ela de fato, não queria mais ser escrava da medicina.

Alternativas?

Tentou, algumas.

Umas deram certezas, outras indicações foram úteis. Até a fé foi. O amor nem tanto. Neste caso, amor só prejudicou. Quanto mais amava, mais livre ficava e mais bolor acumulava no estômago.

📌Tá tudo confuso hoje. Até essa vontade louca de jogar o estômago na lama. E depois me jogar junto e se possível causar um afogar.

A única vontade hoje era de ter sentado numa pedra bem alta, no meio da mata, olhar o sol, a lua, as estrelas rabiscando o céu, enquanto bebo um maravilhoso café moído da serra e faço meu único pedido: cura.

Mas, hoje somos só nós três: Deus, o resto do eu, e os efeitos mortais dessa lua cheia em câncer.

Em, 15/12/2016.

Não relacionamento!

Não se iluda meu caro,
O encanto….
Sempre teve nome,
Sobrenome e endereço.

Seus olhos verdes,
Não são os únicos pares de olhos.

Verde, é um tom popular,
Um tom comum.
Um ocre-esverdeado,
Direto do mangue, não!

Não fostes o culpado! Não existe culpa em envolver-se.

Não se culpa!

Não culpa seu egoísmo,
Seu machismo,
Seu achismo,
Mas, é que você, só teve meu gozo.

Tu não é o cara, cara!

Nunca foi a batata doce da minha horta. Na verdade não esteve presente nem no jardim…

Nem nas plantas da janela
Nem na cabeceira da cama
Nem na cama
Nem nas ruas!

Tu fostes mais ausente, do que ele, que eu nunca tive.

Não é você, sinta-se livre!

É o meu encanto,
Sem culpas, sem permissões,
Ele brotou!

Nosso não relacionamento, não tinha como resistir.

Não há espaço!
Vai faltar sempre o ar.