Vê é do reino

talvez.

Secos como o copo vazio, encharcados reinos,
arretado primor que quiema notas e palavras.
Conversas, lábios, bondades e corações secos?
Frescor quase frio, quase gelo, quase vestígios.

Ríspidos ventos que norteiam estações inertes.
Doutrinação matinal, silêncio noturno, sais tardios.
Que leituras essenciais admiras, o que escutas?
Ossos do ofício; demostração nula, palavra muda.

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~ como anda sua força?

A minha tá nula, de preguiça, tá cansada, angustiada, irritada.

Eu realmente tô cansada, exausta, mentalmente a trezentos por hora, em uma pausa que não consigo absorver.

A força tá pedindo socorro aos céus, tá gritando ferozmente, por coisas ainda, não compreendidas.

Meu corpo já adoeceu, tá difícil, bem complicado, mas, não posso desistir.

Tenho que resistir. Preciso!

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Tempos, difíceis.

A lágrima desce lentamente, escorre em olhos solitários, vazios, oprimidos. Desce, como quem vê o desespero crescer no fundo do copo.

No outro lado da calçada, uma massa é batida, sentida, doída, sem fermento, sem ovo, sem açúcar, sendo batido ao pé do fogo, que só vai assar, por ter um velho latão e alguma lenha.

O fogo arde suavemente as pálpebras, e a maçã rosada da bochecha maqueia a dor, a febre e o frio. A fome não alcança, a esperança não alimenta a alma sofrida, a vida calejada, grita em mãos vazias.

São tempos difíceis!

As ruas estão geladas, a garoa constantemente faz sua vítima, que morre calada, em um cala o frio de mais um bendito.

Uma realidade não tão sorrateira, quanto aos responsáveis.

Descreva a real causa da morte
Identifica o corpo
Reconheça a negligência
Decifra a frustração
Multiplica a problemática
Acrescenta a meritocracia
Descarta o racismo
O preconceito
Retira a isenção
Coloca altruísmo
Tira os olhos do umbigo

O século é contemporâneo, mas, ainda são tempos de indigentes.

Vou guardar nas entrelinhas.

Cansei da monotonia, do vazio das letras, do grito da alma, do silêncio das palavras.

Cansei das lágrimas vazias, dos olhos encharcados por dores que realmente, não são minhas.

Cansei da ausência, cansei da saudade, cansei de ser presença, cansei de ser.

Cansei do silêncio da filosofia, cansei das propostas vazias, cansei do quadro, e da fotografia.

Cansei do perfume barato, do disco furado, do romance esquecido, do café aguado.

Cansei do espelho, do corpo, dos óculos embaçados.

Cansei dos sonhos esquecidos, do medo, dos pesadelos, cansei de chorar no chuveiro, de doar por inteiro.

Cansei das vozes, cansei do mundo, cansei de mim.

Mas, precisamos seguir, né?!

Então, vamos lá!


As nuvens molharam os olhos, a pele rasgou o sorriso, mudou a cor do olhar, mudou a voz, a reação e alterou a graça. Bora lá, encontrar o Lua Nova nas nuvens desse céu cinza.

Se cuida!

Morta, porém viva.

Morta, porém viva.
Admirada, bonita e perfumada, porém morta!


É como a estrela que brilha sem vida, mas, reluz o brilho que te alegra todas as noites.

Ou seguimos no pensamento de um caro amigo:

“enquanto a luz não chega, sua existência é ignorada”

[A âncora, não vai soltar, e o barco não vai sair do lugar, o único meio do barco voltar a navegar é colocando em direção ao mar.]

Existe um jeito de não despedaçar-se nessa tempestade, chamando Deus pro controle.

Se quiseres ressuscitar a flor, chama Deus, pois, talvez, o tempo seja curto, ou talvez, já seja tarde. Tempo é algo muito relativo, enquanto passa, você acha que perde, e quando perde você acha que ganha. Mas, não é bem assim, no tempo sempre ganhamos.

Eu, te deixei em um bom lugar, no altar! Um dia te encontro lá. Quer você queira, e eu não, quer eu queira, e você não; ou não!

Rio de Janeiro, em 2012.