Pôr nublado…

Finda tarde branca
A tarde cinza escura
Escuridão alaranjada

No dia seco nublado
Cenários silenciosos
Sensação dos pesos

No dia das idas; meias
Mortes inesperadas
Aquecem pés e almas

É chegada noite…

Não era o amor..

Três da tarde,
o telefone tocou,
não era o amor,
nem a esperança.

Era o vazio do tempo,
carregado na mensagem cheia.
Extremos em momentos,
reação do vazio.

Um fim com despedidas,
uma consciência equilibrada.
Pele que escorre o sentir,
fim que alivia a dor.

Místico de dois tempos,
morte, nos versos futuros.
Texto translúcido,
enterro de um tempo

O telefone tocou amigo,
não era o amor.
Era a incompreensão na dor,
era seu filho pedindo colo.

Foi a enfermidade necessária,
as exigências do corpo,
pras pendências da alma.
Tempo que foi e não há.


Que o espírito permaneça na mesma paz que doou e na mesma sintonia que sempre emanou.

Que a Luz esteja com os teus.

|Ápice |

O barco parou na marina, o céu começará escurecer, os pássaros seguiam seus rumos, todas as casas pareciam mortas de tanto silêncio.

De alguma forma, paralizei no convés daquele iate. Quis ficar ali, ouvindo o burburinho da calmaria instalada, olhando o sorriso, rindo pro olhar.

Estava cedo, ainda tinha todo tempo que necessitasse, até o início daquela festa no haras, mas, não tinha mais tempo, para ter mais tempo.

Meu companheiro de aventuras infalíveis, tão pouco se importava, se queria tomar o último gole do sol ou tomar um banho de vinho, ou me intoxicar com alfaces, ou ainda, comer todos os chocolates da face da terra, pois, válido era a presença, válido, era o momento, somente isso.

Anoiteceu na marina, o breu se fez presente, e as estrelas do céu pareciam penetrar meus olhos, que profundo era aquele momento, não contive a lágrima que não devia cair.

Mesmo com minha fortaleza mental e espiritual, como humana, era e continuo sendo fraca. E talvez, por isso, tenha adormecido, ou minha mente, esquecido aqueles minutos passados. A verdade, é que algumas horas, fugiram das minhas lembranças.

Era tarde… luzes e holofotes chamavam para mais uma festa.

O som já causava êxtase, o afeto causava êxtase, o amor próprio causava orgasmos, e a madrugada, seria bem longa, bem sóbria, bem intensa.

Era a última festa, meu último banho de chuva naquele haras, com ele, sem ele. Era a última vez no Brasil, a última vez aqui, comigo.

A alvorada, seria o ápice de nós. De nós todos. De todos os nós.


[Que lembranças invadiram a vida. Imensa gratidão, pela conexão.]


O som do bambu se fez presente, a chuva se fez presente, o amor se fez presente, o sol abençoou nossos relacionamentos.

Aho. Gratidão por toda nossa relação.

Firmou-se. Deus permitiu a despedida, e ele se foi.

“Êxtase mesmo é descobrir a si mesmo.”

Paleta

Estou pensando em aquarelas, tantas cores possíveis.

Pinto o sol, o mar, desenho uma onda, uma prancha, já tenho o surf.

Pinto umas árvores, e já colho maçãs.

Tá chovendo, violo os pensamentos, e adentro em uma linda cachoeira.

Olha, meu Arco-íris pintado com os dedos.

Olha, veja as borboletas saindo do casulo, uma borboleta azul ciano, num voo perfeito e alto.

Ela admira lindas flores corais, e em um abacateiro, descansa em paz.

E em paz, desfruto laranja com limões, saboreio uns morangos e desejo um sorvete de amoras com brigadeiro.

É fim. Não só da tarde.

Desenho amarelinhas no chão de giz.

Passarinhos cantam, anunciando que estão de volta ao ninho.

Um chá das cinco, de canela, por favorzinho!

Do lado sul, tranço umas linhas, corto umas rendas, junto umas flores e crio uma linda tiara.

Do lado norte, aquele vento, anuncia a tempestade, mas, continuo exagerando nas opções de cores.

Em, 2014.