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| do flerte a flecha |

Despir o espírito, em notas suaves de rosas.
Despir a alma, em notas sagradas de orações.
Despir o coração, em notas suadas de gratidão.
Despir o corpo, em notas ousadas de traduções.

Olhei, o corpo que trouxe,
Beijei a mão, e colhi as palavras,
Agradeci a voz, confirmei o canto,
Dancei o bramido que provocou.

São devidas proporções e fé há,
Supremacia e reverências.
Sonhos, visões, insgths evoluídos.
Dissertações proporcionais; tensas.

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unorthodox

Algumas raízes acorrentam ao invés de libertar!

“É preciso mergulhar em si.”

Quantos mergulhos são precisos?

Navega o mais fundo possível no interior dos anseios, dos medos, desejos, caprichos, virtudes e crenças.

Sempre com a sensação do afogar, mais nunca o êxtase das buscas.

Quantos afogamentos preciso para resistir?

Quem sabe, ter certeza de quem fomos, ou o que queremos-devemos ser.

Nos sentiremos plenos?

Pode ser que dê muito certo.

Ou, talvez, descobrir que a plenitude não existe, não da forma que almejamos.

O vazio realmente existe neste corpo, ou são véus de memórias?

Imagem: é da minissérie Unorthodox.

| saiu cedo|

Ela levanta e olha o tempo como se estivesse desabando na praia, ou como quem vê o quanto será longínquo este dia.

Escova os dentes, não arruma o cabelo, tanto faz, são cinco horas da manhã, ninguém vai perceber, olhar ou observar, então também não se preocupa em colocar sua melhor roupa.

A coruja ainda está pousada na ponta do telhado, como quem vigia a casa e o sono não chegado.

Onde andarás a menina que ontem habitava em constelações conosco?

Caminha em passos lentos, desacelerados, quase paralisando o respirar, quase desmontando em suas próprias pernas.

No silêncio do dia, um sonoro percebido. Não se preocupa e não se assusta.

E se depara com um quadro vivo nascendo, entre a escuridão sombria, e o nascer do dia que raiou mais uma vez com olhos abertos.

Estamos aqui, novamente, observando o vento, os barcos e o silenciar da voz.

Desculpa, não quero ser mais forte. Quero poder ser fraca. Chorar sem precisar esclarecer minhas confusões. Sorrir sem o peso.

Um encontro enamorado, ela, e o oceano inteiro de ondas agressivas, que com ferocidade e ternura vai batendo, debatendo, arrancando; molhando suas vestes.

Alguns minutos depois, lá estão, esticadas na areia, como quem não tem vida ou força para se manterem em pé.

O vento calou, as ondas se retiraram, e mais silêncio ficou. Um absoluto som do universo, ou seria do abismo a sua frente?

Ouvi seu lamento entre nuvens e raios solares, que reluzem os olhos, ora encharcados de lágrimas, ora brilhante do sal.

Um amor a céu aberto é esse encontro. Um orgasmo e duas sentenças.

O sol não se faz mais presente, nuvens carregadas acabam lavando todos os vestígios dessa breve intimidade.

Seu corpo permanece estirado no chão. Suas vestes transparecem sua pele totalmente arrepiada do frio, e seus lábios estão levemente arroxeados.

Parece olhar o barco que aponta na igreja,
Parece recitar o om mani padme hum pro sol,
Parece que reza uma prece com o marujo,
Parece que resmunga com a mãe.

Na verdade adormeceu ou simplesmente apagou por alguns minutos. Eu não sei.

Desperta por novas ondas, agora evoluídas em grandeza e força, ondas, que a jogam para dentro do mar, e acaba com todo o resto de fôlego.

Acorda, não encharca mais as rosas, acende a fogueira.

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Que a luz seja presente, boa noite.

Corpos que não estão.

Noite insólita reversiva,
Nenhum pouco recreativa.
Sem oxigênio, plantas mortas,
Silêncios imóveis, casa vazia.

Fumaça pela brecha da porta,
Janelas ofuscadas pela poeira,
E o raios de sol não transpassam,
A sala mais escura, úmida e sombria.

Durante um tempo esse foi o cenário daquele lar. Durante um século, três séculos, dez vidas, inúmeras agonias.

A escuridão do ser é sentida a distância.
A luz não ilumina, a alma morre, e o espírito não é mais.

Tristeza real.

~ corpo; lembranças.

Como tu transcende o que envolve o corpo?

Por muito tempo a sombra foi invisível aos olhos. Ao olhar crítico e contestador.

Estava ali, o corpo de frente pro espelho, tentando encontrar o ser que refletia a cor. Mas, não encontrou.

É como se no corpo não coubesse a alma. E essa alma não suportava o corpo. [interrogativa]

Um corpo carnal, cheio de presenças, carregando células sem digitais.

A alma não frequentava o corpo. E o espírito não pairava nele.

Era um corpo moldado no esqueleto, revestido em pele brilhando a cor ilusória do mundo.

O corpo descrente da crença.
A crença mentindo pro corpo.
O corpo vagando na rua.
E a sombra pedindo espaço.

Ser luminoso fora da luz.

Por muito tempo a sombra foi invadida. Pelo sentir egoísta e manipulador.

Estava ali, a alma de frente pro mar, tentando ver a luz que fizesse emergir da água. Mas, não conseguiu.

É como se a alma morasse lá, nas montanhas, aos pés do mar [ainda mora?!]. E a cor, não refletia a água.

Água, afluente da alma. Invisível, e inspiradora do ser, alimentando a luz. A luz da vida que não brilhava no ser. E o espírito não mergulhava o corpo.

Era a luz encaminhando o corpo, e a sombra iluminando o espírito.

O corpo frustrado com o mundo.
O mundo usufruindo do corpo.
O corpo sangrando avenidas.
E a sombra desfazendo os atalhos.

Ser poderoso fora do corpo.

Como tu suporta as experiências silenciosas que esconde no olhar?

Ser, que ver o olhar, e não sente.
Corpo que pertence e não habita.
Sorriso que esconde o que projeta.
Asas que te deixam ser.

Mergulha no ar, mais alto, em presença, em certezas. Em teorias criadas em sonhos, em déjà-vus.

Como sentir sem ser?

Vejo o olhar, na mesma proporção que esconde o sorriso.
Sinto a alma, na mesma intensidade que guarda o espírito.

É só conexão.

E presença estabelecida.

Seja!

~ ânsia.

Invisível,
Senta silenciosa,
Pede um café em Bogotá,
Aguardando o trem que não virá.

Facas afiadas atravessando os músculos.

O sangue, parece não corresponder a expectativa da corrente, atrasa o percurso, falta o ar, o fôlego fica perdido, a temperatura se perde, o corpo gela, queima, arde, a febre chega, o ânimo desaparece na ansiedade.

Três dias,
Uma semana,
Meses em um dito chamado:

“é só desânimo”.

A fome esvazia a geladeira,
Anorexia temporal,
Aumenta o peso, perde o peso,
Multiplica o peso, se perde na balança, encontra-se com o desespero.

Instalados lado a lado, deitados na mesma cama, aguardando o sono que não vai chegar.
O sonho acordado, criando uma técnica, um plano, que desfaz ao raiar do sol..

O quadro da sala, a parede da cozinha, os azulejos, o abajur, os discos, os livros, tudo parece incomodar, como se não devesse estar ali, como se a casa já não pertencesse a esse lar.

Já não se sabe o que é lar.

Um complexo,
Uma luta injusta,
Um corpo saturado,
Um cheiro de enfermidade,
A vontade de melhorar.

Entre a necessidade da mente e do corpo, a alma fica ali, estagnada, nula, sofrida, assistindo tudo, vivenciando tudo, sumindo, desaparecendo.

Não creio que vence o que tu alimenta melhor, algumas dores são tão doloridas, que o corpo já não responde aos impulsos positivos.

A mente sabe, o corpo sabe, o espírito sabe, o emocional também sabe, mas,

Paralisam!

[Texto criado com base no projeto Doenças da Alma, do aplicativo Meu Poema. Não escrevi meu texto no concurso, mas resolvi contribuir com algumas palavras.]

~ meu corpo mandou lembranças.

Estúpido corpo moldado para a mais viável alma.

Espírito, alma, meu corpo, habitado no físico translúcido em discórdia.

Sinto o cheiro do corpo, percebo o toque da alma.

Adormeço sobre o meu excêntrico espírito, falido, ainda vivo?

Anestesiada estou, imóvel de frente para o corpo, exausta de frente pro choro, mansa de frente pra febre, que agora insiste, não cessa.

De volta ao processo da sede.
Suor, calor, frio, vestígios.

Estou cansada.
Perdi a fala, perdi a letra, perdi o texto que falava das flores.
Perdi o gosto que anunciava a esperança, que libertava as fronteiras.
Perdi o paladar da áurea, ganhei mais sono, mais fome, insônia.

Não durmo, não fumo, não projeto mais o futuro.

Que susto!

Vi os céus romperem na janela do quarto, o cacto morreu, a rosa não abriu. Os girassóis mudaram de lado, e o sol invadiu o amargo, o corpo caiu sobre os lençóis suados, a febre pousou sobre a flor, a dor ardeu a pele, a mente trouxe sua presença, o coração transpirou sangue, e o meu corpo mandou lembranças de você.

Comprei o pão, o vinho, a uva, tomei café com os pesadelos, ceiei com o espelho.

Não olhei pro telefone, não respondi os e-mails, guardei as fotos, limpei o pó dos armários, tirei o cheiro do mofo que ficou no quadro.

Acendi o abajur, não te descrevo mais.

Emoldurei o corpo, desapareci nos atalhos, te refiz nas canções das estrelas, colhi as couves, acendi a fogueira, coloquei minhas mãos, meus pés, meu corpo, minhas lágrimas vazias, te olhei na manhã seguinte, queimei meus olhos, esses, ardiam.

Meu corpo fora do corpo, fora da mente, fora da alma, dentro do espírito, imerso no corpo, perdido no espaço interno do corpo.

Corpo no externar do corpo.

Corpo, não sou, só, corpo não posso ser, meu corpo e você.

Seja!

#corpo

Arte: não sei ainda.