Vê é do reino

talvez.

Secos como o copo vazio, encharcados reinos,
arretado primor que quiema notas e palavras.
Conversas, lábios, bondades e corações secos?
Frescor quase frio, quase gelo, quase vestígios.

Ríspidos ventos que norteiam estações inertes.
Doutrinação matinal, silêncio noturno, sais tardios.
Que leituras essenciais admiras, o que escutas?
Ossos do ofício; demostração nula, palavra muda.

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Carta as Valbusas

Carta as Valbusas. – vinho raro.


🍷 Mucha Sekt

Haviam duas formas distintas de chegar lá, prefiriu-se o papel mais árduo. – eu diria, perigoso.

Eloquentes caminhos. Artimanha dolosa?

A palavra é ígnea. Carrego a pedra e o pássaro, duas flechas brilhantes, e há um só caminho.

Plasmada excentricidade. Raridade, desordem, quase uma palustre na cidade esquecida. Dó ou dor?

Sorrisos rompidos. Parabéns pela formatura, cara amiga. Devo um brioche ou broche?

Estética doce, sapato verniz divino, lábios e cabelos franzidos, mãos de rainha priveligiada ou de preguiçosa vida?

Nada disso. A vida é um salto, e tu não estava no dia do assalto. E a arma apontada, não foi na sua mente. Um trauma.? Sim, só mais um. Fato. Da ingenuidade e fragilidade todos comentaram. E, eu?

  • Com pólvora e gatilho, todo homem perde o “H” e doa pra hipocrisia. E os valentes, sangram.

“Os covardes não tem cicatrizes!”

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Lancinantes

🖌 Nik Gallo

A garganta seca, não há mais líquido na garrafa que dediquei a mim.

És um intrínseco poema, descendo anojado ao esôfago, não chegará ao estômago, regurgitará.

Versos regozijados de ausências excruciante.

Que falta faço-me!

copo da sede

Não é vazio do copo
Nem a ausência da sede
É o ser gritante na dose

Ignorância, não ter
Lamento, não ser
Indiferente, não ver

Não é o transbordar do copo
Nem a sede da dose
É o ser escorrendo na sede

Ignorância, não ver
Lamento, não ter
Indiferente, não ser

Percebo, não consigo ter
Descubro, e não posso ver
Sozinha, não consigo ser

Copo da sede, sem sede; vazio.


dose sem sede

De todas as interfaces da vida, adianta-se entre um compromisso e outro, e goza, nos desejos mais imperitos.

Sinta o ar que abraça, e entrelaça a pele, em doses extremas, na tensão.

Sinta a eletricidade do copo chocar-se com cada vontade única que a mente atiçada provoca.

O corpo ferve, a boca saliva por mais uma dose, em meio ao cômodo vazio, frio, impetuoso.

Não importa, o gosto do gozo. Garanta, o que conserva a brasa, sem o ar presente. Guarda as lenhas.

Inspira!

O copo quer envolver-se dentro do suspiro, do suor, na respiração ofegante, o copo quer adentrar o prazer que palavras e sentimentos não descreveriam.

O copo quer atingir o êxtase, em cada detalhe possível, quer aspirar todos os desejos invisíveis, quer arrepiar os neurônios, mais do que os pêlos.

O copo quer o aroma do toque.

Quer a fumaça provocada no calor dos lábios, sobre o frio da pele, o ardor do copo. O copo declama os versos.

O copo anseia o calor, do verão de agosto.

Veja, o brilho do copo, em sóis reluzentes, que aquecem, o coração, o espírito, a mente, as vontades.

Clareza escorre no rosto, na boca, no pescoço, no peitoral, uma fonte para os olhos.

Expira!

Em um piscar dos olhos, tudo escorre, e o poço exploratório derrama mais das amarras.

Discorre, Amor.

Sobre o ventre, sobre as pernas dormentes, sobre o beijo silenciado.

Espalha o perfume da liberdade que tens, e, em tempo, com prolongas, doa-se por inteiro, para nós.

Goze!

O silêncio chega, novamente.

Desta vez, esparramado no suspiro da bebida e da saudade vencida.

Doses do gozo, perdi a sede.


📷 Copo das Estrelas – olha a Cassiopéia e sua filha rabiscando. – Via

Copo cheio, copo vazio.

Observamos o copo, ele tem um conteúdo líquido, água.

  • Água: substância incolor, insípida e inodora, formada de átomos de hidrogênio e oxigênio, agrupados em molécula.

Que nesse momento ocupa cinquenta por cento do espaço do copo, ou seja, tem água até a metade do recipiente.

Como você o enxerga?

O copo tá “meio cheio” ou “meio vazio”?

O que você acha?

Tu é pessimista ou otimista?

A forma que você ver o conteúdo do copo, diz muito sobre você, sabia?

E o copo pode te ajudar.

Meio vazio, ou meio cheio, na verdade, tá na metade.

Para cima, ou para baixo, não importa é a sua concepção.

E ela que te faz enxergar coisas positivas e negativas.

Onde tá seu olhar crítico e cético de encarar as coisas boas e ruins da vida?!


Ouvi isso de um filósofo na fila do INSS.

Beba Água!


Em, 2010.
Memórias do aposentado Blogger.

| febre |

Garganta seca, boca ressecada, lábios rachados, sede…

Suor frio, pele avermelhada, nariz irritado, corpo gelado e a alma molhada.

Duas blusas encharcadas, mãos trêmulas, banho frio, choque?

– Uma taça com água pra fresca! Natural, sem gás, sem limão, sem gelo!

Um copo d’água, duas garrafas d’água, um galão inteiro de água, estou afogando, observando minha ilusão sobre a mesa.

Que sentir estranho!

De volta a realidade, uma pequena análise do platonismo.

De volta aos pensamentos, um paroxismo dos desejos;

De volta ao termômetro, fazendo paisagens sem que ele saiba.

Regurgitando o Sentir, porque como disse o Pessoa:

“nada tem importância”.

Será?!


Fluidez!

Não estou fluindo, nem nutrindo.

Só estou rindo, sorrindo. Gargalhadas em medos, desejos, pesadelos, esse tem sido o enredo.


Madrugadas frias, imagens sutis. Durmo tarde, acordo no meio do sono. Sonho quase todos os dias.
Quase todo sonho é vazio, sozinho, sombrio.

Acordo cedo, canto com o galo. A alma está de ressaca. Estou bebendo mais água, mais água, mais água, mais água, mais, mais…

Estou com o peso das noites. Peso dos pesadelos, peso da agonia, peso do corpo cheio.

Algo precisa fluir, nutrir os sonhos.

Decifrar o que vejo!
Explicar sentires, experiências. Dizer como percebo. Despertar…

De gole em gole, estou preenchendo os espaços vazios, mas, o vazio é sempre cheio.

De copo em copo, o que é ruim vai sair. Com mais sede, afogo intentos que não são meus. Sufoco os negativos. Assassino mentiras, e destruo algumas verdades.

E cheia suficiente, posso esvaziar tudo. Consigo expelir tudo que agrediu o ser.

Nadar nos sentimentos e nadar sozinha com a alma…

Ela, ainda que triste, é fluidez!