Tem Flor

Liberdade é para Ser Livre!

Pano de Saco — 25 Ago 2021

Pano de Saco

Naus em mares cinzas: lemes novos!


«A medida que as córneas são irreais palavras tornam-se quebradiças apesar de esforços. Sem dever explicar o que eu não posso… Pratos neoclássicos demandam paladar… A sede perde o fôlego sem remos…»

Pratos, Guardanapos, Lenços, Lençóis, Lemes… queira os novos!

Pratos lavados, lençóis arrumados, saco de pão no lixo… anotações, orações e lemes nulos… um planner? Três. Seis. Sete. Doze. Vinte e dois, Cassie. Lembra?. 25. Não. [Não sei passar tecidos, não entendo grid]

– Guardanapos com lembretes?..

Do tempo? Da paz? Do amor, do Amor… Dos caminhos? Das ilusões… Dos credos?. Dos sonhos? Das fomes. Das roupas lavando na máquina… Das sedes?. Das roupas secando no varal? Dos pães que não sei fazer… Dos vinhos que deixo de beber?.. Das orações ausentes?.. Do corpo presente. Do coração lento, morno, morto… «sintomas do coração morto» (raízes doentes, caule seco, folhas agredidas, flores murchas, frutos inexistentes) Como assim, numa terra sendo arada?.. Ainda nem lançou as sementes, como pode danificar a planta? [¡princípios!] Anota!

– dos lembretes: «- espírito, tira as vestes!»

Tira as vestes, Cassie. Lembra dos navios de Társis. Tira tudo. E vista-se com pano de saco, com pano de saco com pano de saco com pano de saco… E saia em paz, com alegria, com os cânticos das montanhas, com as palmas das árvores, com o aroma das flores, com os ventos impetuosos e com suas folhas viçosas.

Saia. Saia nua, saia sua, saia na galé. Saia só desse navio. Só. Só saia, Cassie. Revolva a vida, os sonhos, os remos dos Arvades, os ossos, recupere os ossos, Cassie. Porque esqueleto calcifica mas precisa deambular.

Saia, mas saia com a roda do leme ajustada, iça o pavilhão e prenda os lenços, os lençóis, os lembretes, os vistos, os números escritos nos sacos de pães…

Saia, sobreviva, viva e medita… nos olhos, nos lábios, nos ouvidos, nas mãos que ditam, nas anatoções, nos livros… medita nas profundezas, nos silêncios gritantes que ecoam das cinzas desse mar de náufragos e supliciados.

РO que dizem as anota̵̤es?

Marujo, o que dizem as tuas rasuras, amarguras e armaduras? O que diz o sorriso? O olhar? E as dos leitores? A dos autores? E as minhas? [Quero reler as placas que li, queria ouvir mais que olhos mais que olhar..] Ler as letras e lágrimas bordadas em travesseiros de sacos, os que nos fazem dormir mais serenos e vivos… serenos… assistidos… plenos… vivos! [que letras, que nome? – putz, que memória torcida]. Mas é um sono seco, Cassie, em uma insônia molhada, quase asfixiada nesta secura de palavras não emitidas por mim… pra mim… ou pra nós.

E as Defesas mandam mais lembretes:

Em baixas… bebam água!..

Água, Céus!.. Água pros corpos, água pra beber, água pro café, água pros lençóis… água! Água para mergulhar azeites, ferros, joias e tiranias, água para criar sal e reger a vida, água para a dileção e água para os beijos (traições) da noite – os sonhos!

Trazes os sonhos sem beijos, Daniel. Sem fornalhas e leões, só os vistos e sabidos… eu quero o sono e a oração e um ferro de passar com brasa e carvão. Mas ainda é um navio sem mastro a todo vapor num oceano sem destino… a todo vapor neste tempo de pedras e ossos secos e cruzes e batuques e velas e ossos do ofício.

Um ferro, Cassie. Um ferro e um pano de saco! Um ferro em brasa viva que cinja na pele todos os vistos, revistos e não vistos. Um ferro, que transpasse os panos de sacos dos corpos, pois de amarfanhado já basta os lemes da vida.

🏳 inté…

Voyajando

Blog de Viagens

Cadê Meu Tesouro

Educação Financeira Sustentável