Publicado en Chá das Onze

Esboços

Cansei de estrofes inacabadas, de versos modificados, em poesias desenvolvidas.

Desconcerto em palavras trocadas por emojis que nunca compreendo o que realmente dizem. Eu sei, sou um tanto tonta, mas sei que não quero os símbolos, por mais, que eu os use como desculpa para comunicar algo. Eu sei.

Anseio por parágrafos em livros nunca terminados. Assim, como sonho o sono tranquilo em noites chuvosas. Sei que desejo piscina funda, e banheira num quintal florido. Talvez na varanda de um apartamento, ou estacionada em alguma garagem.

Desejo sexos matinais e cappuccino na alvorada. Taças de vinho com pizza. Reuniões com café no almoço. Com ou sem palavras. Com ou sem presenças. Esboços de vida construída. E-mails endereçados ao amor da vida. Leitura noturna. Oração diurna. Órgãos na madrugada. Beijos doces e azedos. Chocolate no inverno. Ah, as mãos que apertam os medos e massageiam cabelos.

Anseio passaporte sempre com vinda, sem despedidas, mesmo nas idas. Os assentos sem desconfortos. Cinto de segurança, que não incomoda e nem sufoca as poesias. As linhas de travessia, os pontos e as vírgulas nas placas de informações, mas, talvez, necessite de um cão guia. Um professor que ajude amenizar anseios, e apitos que sinalizam o perigo.

Ah, eu só quero abraços, demorados e apertados. A excitação até sem beijo. O gritar mudo. Os sons. Os tons. Os silêncios. Motéis na beira da estrada e pés grudados na cama. O edredom e o futebol. Os tênis largados na varanda. Batons perdidos na bolsa. O amante. A companheira. O homem. A mulher. As crianças já grandes.

Não desejo mais bichos, nem pássaros, nem cobras e nem os cachorros felinos. Nada de zoológicos e aquários. Desejo todos livres. Seja texto, arte abstrata ou seja vivo. Quero tudo ao vivo, sem lives, redes sociais, jornais ou blogs. Talvez foto pro arquivo. Quero tudo em poemas longos, sem férias curtas.

Quero carnavais, museus, cinemas, templos, bibliotecas, coreto de praças, colchão na varanda, bolo no aniversário. Palavras e estátuas. Os números e as artes. A ciência e a comunhão. A coragem com justiça. A discrição, a entonação, o poema lido, o amor ouvido, o amar evoluindo. Os parágrafos surgindo!

Ah, as responsabilidades e as consciências. Ambas sabem que os anseios e esse texto, necessitam de um título, mas, não de rótulos, e sim, uma rotina disciplinada, mesmo que seja para ser uma ligação, via câmera, via letras, via símbolos, via silêncios, ou passagens em curtas escalas, com mensagens esperançosas, ou mesmo que seja para orquestrar mais um texto, mais uma linha acrescida.

Eu cansei dos esboços. Eu quero o corpo do texto, o contexto presente, e o resumo com palavras reais que constrói futuros vividos.

Escrita num mundo composto, compondo o novo, dentro de algumas palavras precisas, abastecendo alguma ilusão perdida.

Sábado, de carnaval.

Autor:

🌱 Apreciadora de cafés e doces. De poesias, músicas, fotografias, esculturas, artesanatos, pinturas, cores, desenhos, garatujas... Aprecio culturas e artes... flores, passarinhos, plantas, insetos exóticos, peixes, águas. Comungando num rito harmonioso e encantado com a botânica e com as belezas naturais...

6 comentarios sobre “Esboços

  1. Ora pois, se não viajei nas tuas palavras e cheguei ao êxtase que é o divino de ser humano, demasiadamente humano Cassiane. Lindo lindo lindo minha cara amiga… adorei! Que seu domingo seja iluminado e feliz… beijo no coração!

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