Carta as Valbusas

Carta as Valbusas. – vinho raro.


🍷 Mucha Sekt

Haviam duas formas distintas de chegar lá, prefiriu-se o papel mais árduo. – eu diria, perigoso.

Eloquentes caminhos. Artimanha dolosa?

A palavra é ígnea. Carrego a pedra e o pássaro, duas flechas brilhantes, e há um só caminho.

Plasmada excentricidade. Raridade, desordem, quase uma palustre na cidade esquecida. Dó ou dor?

Sorrisos rompidos. Parabéns pela formatura, cara amiga. Devo um brioche ou broche?

Estética doce, sapato verniz divino, lábios e cabelos franzidos, mãos de rainha priveligiada ou de preguiçosa vida?

Nada disso. A vida é um salto, e tu não estava no dia do assalto. E a arma apontada, não foi na sua mente. Um trauma.? Sim, só mais um. Fato. Da ingenuidade e fragilidade todos comentaram. E, eu?

  • Com pólvora e gatilho, todo homem perde o “H” e doa pra hipocrisia. E os valentes, sangram.

“Os covardes não tem cicatrizes!”

Eu tenho. Costurei os cortes com o ouro da mãe-terra. Eu renunciei o que senti. E o que pensei, pouco importa. Ninguém pergunta, exceto, o psicólogo, caso procure um. Exaltei-me em mudas falas, contestei em dias mudos. Revestir-me em armaduras falhas. Foda-se! E falhei comigo.

Um chá servido frio pra mim!

Poesias e políticas discutidas nas folgas praianas das segundas-feiras. E a amiga lusa e lisa não era mais turista e nem amiga.

“- Pode ser limão? Acabou o pêssego.”

Em dias calorosos, a piscina olímpica do outro lado da cidade, o silencioso do jardim e a conversa boemia do vendedor de chá, eram raros refúgios, ilusórios, eu sempre soube.

Um lanche burguês com o freguês…

A praia de Copacabana é um cartão feio olhando de perto. Seis ruas adentro, e a Babilônia te conta outra história. A pedra no arpoador não fica tão bela quando vira cama. As bolsas devem ser escondidas, e as esculturas de areia, não devem ser destruídas. É arte. E As Valbusas derrubaram castelos.

O Cristo é uma carta turística que me deu agonia. Não posso com altura na hora gris do dia.

  • não gosto de mate com limão!

Almoços fugitivos na Almeida & Cia. Gratidão, raro amigo. Horas escapadas na comunidade esotérica… Quiromancia? queremos. Palo santo? precisamos limpar a sala do autoCad. Talvez, o vestuário das almas. Tem sal grosso e arruda? – Água de mar agitado, serve?

Dieta Santander, três cafés quentes negociados. Os malotes cresciam, as caronas cresciam, as amizades cresciam, as desonestidades cresciam, e as cordas enroladas com as próprias mãos, também cresciam… sufocada! Quem puxou a corda?

Depois de alguns atrasos consecutivos, o controle de qualidade escrevera um bilhete coorporativo:

“(…) Laranja, após inúmeras tentativas de contato, estou terminando contigo.”

Sacrifícios velados!

Lembro que a mãe leu a carta. Ela jogou fora. Eu acho. Recordo dela perguntando quem chamava por Laranja. – Só os feirantes, respondi.

Lembro que entrei num motel na esquina de casa. A recepcionista, conhecida, ironizou a solidão. Lembro que pedi um quarto pra seis horas, adormeci na banheira, acordei no outro dia.

“Perdeu o enterro?.” – Não vou a cemitérios. Não, senão precisar. Acendo a vela pra Alma?

Lembro que emprestei seu livro de PANCs a uma amiga com leucemia. Ela acreditava que alimentando-se melhor poderia prolongar a vida. Dois meses depois ela partira. As rosas da casa dela, eram as mais lindas. O marido não quis devolver o livro. Ele não faz uso. Eu sei. As Valbusas também não faziam.

Lembro do jantar divinal. A realidade da vida… o próprio juiz. Doutor Almeida, é covardia ser leão entre ovelhas?

Luís de Camões, afirmou isso. – Eu, questionei. Eu, ainda questiono. É covardia?

Lembro que voltava do colégio de ônibus, míseras quatro paradas, nem um quilômetro, mas, a mãe ficava mais tranquila. Eu, uniformizada, mal entrei e um senhor perguntou-me quem foi Luís de Camões, respondi que fora um poeta preso. Ele com indignação e um ar de autoridade, reclamou de nós, os estudantes.

Adianta ser talentoso e conhecido, se só reconhecem suas obras quando morrem?

Não é isso que fazem, dão flores aos mortos?

Eu desci do ônibus. Colhi as flores dos paralelepípedos e levei pra casa. Também já era uma lapiseira aprisonada em escritos pífios e dramáticos. Sem os dramas, só ébrio nas palavras.

E a palavra é lei. Ou devia ser. Devia!

Andou a cidade inteira… sem missa de sétimo dia? Era Luterana. Budista? Uma seita que não sei dizer. Tudo bem, não frequento as missas, não vou aos cultos, nem nas baladas, nem na churrascaria, nem na benzendeira da rua. Não levarei flores. Nem escreverei poesia. Uma carta de despedida? Não. Nem darei bom dia pro seu dia fadonho.

Era uma jovem anciã que não sai mais de casa. Agora, essa sou eu nestes tempos atuais.

O perfume raro quebrou, escorreu pelo chão do quarto e subiu no vapor… Cheiro de álcool, de doce, de sândalo, de vinho barato, de gente parasita, viciadas demais. Aroma de trilhos e trilhas, enfadados…

Duas pedras nos caminhos, pássaro avoar! Perfume caro, Valbusas. Não. Vinho raro!

Lamentável corda?

Dê flores aos vivos e beba vinho caro com os raros.

Despeço-nos!


“Tentei, não consegui, mas vou tentar de novo…”