A voz suprema do blues


Gosta de blues?

Eu gosto. Assim como o samba é do negro, o blues, também é uma herança da cultura afro, e sua história de nascença remete tempos sombrios e de muita resiliência.

“É nossa história, nossa dor, nossa fuga. É nosso desejo pelo melhor. É uma forma de expressar nosso amor por nós e pelos outros e reconhecer os que vieram antes de nós e pelo que passaram.”

Denzel Washington

Acabei de assistir a nova versão do filme ‘A Voz Suprema do Blues’, disponibilizada na plataforma Netflix, e deixo como dica de filme para semana.

Obs.: Nada de filmes clichês natalinos e nem Roberto Carlos na tela. Uva-passa em tudo e fatia parida pode.

“Estamos no processo de escolha do nosso futuro, e acho que seria bom verificarmos nosso passado. Somos quem somos hoje na sociedade por causa de fatos que aconteceram antes deste momento. Vivemos numa cultura em que esquecemos o que houve há duas semanas. Para saber quem você é, e o que deveria fazer, precisa conhecer sua história.”

August Wilson

Baseado na peça atemporal de August Wilson de 1984, o filme passa em 1927, numa sessão de gravação da “Mãe do Blues”, a senhora Ma Rainey, interpretada pela belíssima Viola Davis e os conflitos dela com o talentoso e inovador trompetista Levee, interpretado por Boseman (sua última atuação).

Rainey representa através da sua bela voz, a luta, a alegria, as dores, a honra e valores, e defende com estratégia a música tocada em sua forma tradicional sem se preocupar com o fim aproximado da sua carreira com a chegada da inovação.

“Este é meu dom, meu talento. Se quiser que eu cante, honre-o.”
Ma Rainey

Enquanto Levee, um jovem sonhador, com uma história familiar dolorosa, busca modernizar através do som da banda. Levee, acaba descobrindo a frustação do outro lado da porta, percebe que nem sempre “a porta” traz a luz dos sonhos, e sim, o vazio da expectativa. Como a comida de um Chef renomado, a última cena do filme, deixa claro o que fizeram com a música moderna dele.

• Com as gravações que ocorrem na década de 20, muitos artistas negros tiveram oportunidades de gravarem e mostrarem seus talentos e suas artes. Houve grandes gravações, e a música negra estava expandindo de forma grandiosa, mas, a verdade é que a maioria era explorado com contratos absurdos, não tendo retorno financeiro para os artistas. Esse período ficou conhecido como “os discos raciais”, mas, ainda nos tempos atuais, há uma necessidade absurda de defender seu talento, sua arte, seu dom, seu valor e honrá-lo com o máximo de respeito e gratidão, e isso, é um dos motivos que faz a peça de August ser atemporal.

Bom domingo.

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