Publicado en Sociedade

| Gabriele |

Hoje (em 29 de janeiro de 2017) uma menina de quinze anos tentou o suicídio.

[Quinze anos, uma bela menina, preta linda, carinhosa, estudiosa e muito zelosa…]

Quando a tia relatou o que havia acontecido, tinha presente outras duas pessoas próximas. A primeira pessoa, sem pensar, já foi julgando os motivos que ainda nem haviam sido revelados.

” – Nessa idade é assim mesmo… Quer tirar a vida por tudo, namoradinho, zombarias dos colegas… Deviam arrumar um trabalho, lavar uma louça, procurar uma responsabilidade…”

Meu estômago revirou, e todas as minhas borboletas acordaram pra jorrar na cara daquele homem todos os motivos que poderiam facilmente levar alguém, inclusive ele, a projetar a própria morte, mas antes que eu o fizesse, a outra pessoa que estava presente advertiu o homem:

” – Desculpas, mas o senhor está enganado. Meu filho é um homem muito responsável, sempre teve boa conduta e ocupação. É um homem bem sucedido, já é formado, e continua estudando, é trabalhador, tem uma família próspera em todos os sentidos, e mesmo assim, um dia ele desmoronou, tentou o suicídio e quase morreu. Hoje ele faz acompanhamento psiquiátrico. Infelizmente a depressão é para todos. Não existe classe, idade ou raça. É uma doença tão cruel, quanto um câncer. Talvez até pior, por ser mais calado. Quando o gatilho é acionado, muitas vezes ele já levou a vida dos teus entes queridos. Depressão existe meu senhor. E não é ociosidade e preguiça não.”

Bom, aquelas palavras fizeram o homem calar por alguns minutos, dando a oportunidade da tia da menina desabafar.

” – Ela é filha do irmão do meu ex companheiro. Gabriele, tem quinze anos, uma bela menina, preta linda, carinhosa, estudiosa e muito zelosa. Sua mãe é esquizofrênica, depressiva e tem sérios problemas de saúde, toma vários remédios por dia, mas às vezes é teimosa, não toma os remédios, e surta em casa, na rua, tirando a paz de todos.

Não é fácil. É luta, viu menina.

O pai trabalha e quem cuida dela é essa menina, além de cuidar da mãe, ainda cuida da irmã de quatro anos, mas ela também é uma criança, devia tá se preocupando apenas com os estudos, com os cursos, a até mesmo com os namoradinhos.

Ela não devia ser a responsável por cuidar da casa, da louça, da comida, da família, e de uma mãe problemática. Ajudar é uma situação, ser obrigada a ser responsável é outra.

Sua adolescência foi roubada. E não precisa ser fraca para cansar. Ela é forte, mas, também precisa de ajuda.

Infelizmente eu moro longe, não consigo ajudar mais do que faço às vezes, e o pai não percebe que elas não podem ser mais responsáveis por essa situação. Ele precisa pagar alguém pra ajudar, mas não tem condições.

E as irmãs dela, não querem saber. Diz que quem tem que cuidar é o esposo.

É muito triste, minha filha. Muito triste.”

Bom, neste momento o homem já não estava ali presente, acho que ele não teve peito para ouvir, e a mulher apenas concordou com o desabafo exausto daquela mulher que tomava água, afim de também se acalmar.

Gabriele, tomou cinco comprimidos naquela noite. Dois antidepressivos e três remédios para dormir. Teve uma overdose e foi parar no pronto socorro.

Sorte dela ter uma irmãzinha atenta, que chamou os vizinhos. Gabriele contou aos médicos, que apenas estava cansada, que queria dormir, pois já tinha duas noites que ela não dormia e na manhã anterior sua mãe havia surtado e jogou os remédios fora e fugiu.

Gabriele estava cansada!

Cansada e fatigada com uma vida totalmente imposta.

Sua tia havia dito que ela dançava e fazia curso de inglês, mas, quando a irmã nasceu, os problemas da mãe agravaram, e as condições já não permitiram que ela continuasse.

Gabriele então, com doze anos, mesmo triste colocou um sorriso no rosto, e foi cuidar de tudo e de todos.

Gabriele esqueceu de cuidar dela, ou talvez Gabriele não soube como cuidar dela própria, mas, compreenda, como uma criança descobre sozinha como cuidar de si?

Gabriele precisava de alguém para cuidar só dela. Para instruir o caminho. Para brincar e conversar.

Gabriele precisava viver.

Gabriele, abatida e exausta recebeu alta e foi pra casa.

Continuou cansada, mas, sempre com sorriso no rosto. Continuou dando os remédios pra mãe. Cuidado de tudo e todos, e enterrando ela.

Gabriele colocou a irmã pra dormir, pediu bênção ao pai, e também foi dormir.

Gabriele não acordou naquela última manhã.

Descansa em paz Gabriele, penso que Deus aliviou sua luta.

Meditação:

“Vinde a mim, todos os que estão cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.” Mateus 11.28

Ora, medita, reza por nossas crianças! Depressão mata, não necessariamente por suicídio.

  • Depressão mata!

Autor:

Sou apreciadora de cafés e doces, de culturas e todo tipo de arte: poesias, músicas, fotografias, esculturas, artesanatos, pinturas, cores, desenhos, garatujas. Comungo num rito harmonioso com a botânica, uns encantos por belezas naturais: céus, pássaros, flores, plantas, insetos exóticos, peixes, águas.

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